Causas da alopecia: sintomas, tipos e cuidados

Atualizado em , validado por a nossa equipa de especialistas René Furterer.

Hormonas, hereditariedade, stress, doenças infeciosas ou autoimunes, deficiências nutricionais… As causas são tão variadas quanto os cuidados. Compreender os fatores desencadeantes da alopecia é essencial para consultar rapidamente um especialista e minimizar a queda de cabelo.

O que é a alopecia?

O que é a alopecia?

Alopecia é a queda de cabelo acelerada. O ciclo de vida normal do cabelo implica que todos nós perdemos entre 40 a 80 fios por dia, sem que a densidade capilar seja afetada. A queda de cabelo é considerada excessiva quando se perdem mais de cem fios por dia durante um período prolongado: este fenómeno é conhecido como alopecia.

A alopecia pode afetar tanto homens como mulheres e pode assumir diversas formas. A queda de cabelo pode ser repentina ou progressiva, localizada ou difusa, temporária ou permanente.

Os cuidados para a alopecia dependem principalmente do tipo e da causa da doença. Um diagnóstico adequado é essencial para determinar o cuidado mais adequado para retardar a queda de cabelo e promover o seu crescimento.

A alopecia e o ciclo capilar

O cabelo cresce em ciclos. Cada ciclo capilar tem três fases consecutivas:

  • A fase anágena é a fase de crescimento do cabelo. A sua duração é de cerca de 3 anos nos homens e 5 anos nas mulheres.
  • A fase catágena é uma fase de transição curta, com duração entre 2 e 3 semanas.
  • A fase telógena é a última fase, que corresponde à fase de repouso. Depois disso, o cabelo cai, sendo empurrado para fora pelo cabelo que inicia a sua fase anágena. Esta fase dura entre 2 a 3 meses.

Se tudo correr bem, as fases e os ciclos ocorrem regularmente. Normalmente, temos um capital de cerca de 25 ciclos capilares. Enquanto esse “capital” não se esgotar, cresce um novo cabelo para substituir aquele que caiu.

No entanto, no caso da alopecia, os ciclos capilares são perturbados:

  • No caso da queda de cabelo reacional, ou eflúvio telógeno (também conhecido como alopecia difusa), o cabelo entra subitamente na fase telógena e, em seguida, cai.
  • No caso do eflúvio anágeno (frequentemente causado pela quimioterapia), a fase anágena é interrompida, provocando a queda de cabelo.
  • No caso da queda de cabelo progressiva, ou alopecia androgénica, a fase anágena é encurtada, o que leva a uma rápida progressão dos ciclos capilares.
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Sintomas da alopecia

Sinais precoces de queda de cabelo

É aconselhável identificar os primeiros sinais de alopecia, para que possa consultar imediatamente um especialista e iniciar um cuidado eficaz. Quais são os sinais a que deve ter atenção?

  • Queda de cabelo excessiva: está a perder mais cabelo do que o habitual todos os dias e repara que há cabelo na escova, na almofada ou na mão sempre que passa os dedos pelo cabelo.
  • Redução do volume capilar: o seu cabelo está a ficar mais fino, a perder densidade e parece cada vez mais ralo.
  • Áreas de calvície no couro cabeludo: a calvície ocorre nas têmporas, na testa e na linha do cabelo nos homens, e ao longo da risca central nas mulheres.
  • Crescimento mais lento do cabelo: o seu cabelo cresce mais lentamente do que o habitual.


Os diferentes graus de gravidade da alopecia

Para avaliar a gravidade da queda de cabelo nos homens, pode ser utilizada a escala de Norwood-Hamilton. Introduzida por James Hamilton nos anos 1950 e revista por O’Tar Norwood nos anos 1970, esta escala acompanha a evolução da alopecia masculina.

A escala de Norwood-Hamilton identifica 7 fases e avalia a densidade capilar nas regiões temporal e frontal, bem como no vértice (a parte superior do couro cabeludo): 

  • Fase 1: ligeiro enfraquecimento nas zonas temporal e frontal.
  • Fase 2: calvície simétrica nas zonas temporal e frontal, com o vértice a começar a ficar mais ralo.
  • Fase 3: agravamento da fase 2.
  • Fase 4: calvície na zona do vértice.
  • Fase 5: as duas áreas de calvície estão a começar a fundir-se.
  • Fase 6: aumento da extensão das áreas calvas.
  • Fase 7: calvície total nas zonas frontal e do vértice.

Para acompanhar a queda de cabelo nas mulheres, utiliza-se a escala de Ludwig. Esta escala, enumera três fases em que o cabelo na coroa da cabeça fica gradualmente mais ralo e a risca central alarga-se.

Se notar sinais precoces de alopecia, não hesite em consultar um especialista.

Causas genéticas da alopecia

Causas genéticas da alopecia

A alopecia pode ser hereditária. É o que acontece no caso da alopecia androgénica ou androgenética (também conhecida como calvície hereditária). Resulta de uma predisposição genética que torna o folículo piloso hipersensível aos efeitos dos androgénios, em particular da DHT (di-hidrotestosterona), uma hormona derivada da testosterona. O resultado? Uma aceleração dos ciclos capilares, levando a uma falha gradual na renovação capilar, acabando por causar o enfraquecimento do cabelo e a calvície.

Mas quem transmite o gene da alopecia: a mãe ou o pai? Embora muitos acreditem que a calvície é herdada do lado paterno, estudos sugerem que a genética materna desempenha um papel igualmente significativo ao da genética paterna. (Estudo disponível aqui: https://journals.plos.org/plosgenetics/article?id=10.1371/journal.pgen.1006594)

Tanto os homens como as mulheres podem ser afetados pela alopecia androgénica ou androgenética, uma vez que as mulheres também produzem testosterona.

Fatores relacionados com o estilo de vida que influenciam a alopecia

Stress

O stress é prejudicial e conduz a várias patologias? Entre elas está a alopecia. A queda de cabelo reacional (também conhecida como alopecia difusa ou eflúvio telógeno) está associada ao stress na grande maioria dos casos: na sequência de um stress emocional intenso, o cabelo entra prematuramente na fase telógena.

O stress também pode ser um fator agravante no caso da alopecia androgénica ou da alopecia areata (queda de cabelo em manchas). 

Para gerir o stress, considere consultar um profissional de saúde mental e incorporar atividade física regular, meditação ou ioga


Dietas rigorosas

As dietas excessivamente restritivas ou desequilibradas podem causar deficiências nutricionais. Isto tem um impacto não só na saúde geral, mas também na saúde do seu cabelo e couro cabeludo.

Entre os nutrientes importantes para o cabelo contam-se: 

  • Proteínas (de origem animal ou à base de plantas),
  • Vitaminas do complexo B (em particular a vitamina B8 ou biotina, presente na levedura de cerveja, no fígado de aves e nas amêndoas),
  • Ácidos gordos essenciais (ómega-3 e ómega-6, presentes no óleo de noz e no peixe gordo),
  • Ferro (presente na carne vermelha ou nas lentilhas),
  • E zinco (presente nas gemas de ovo e nos frutos do mar).

Para além de manter uma alimentação equilibrada, rica em vitaminas e minerais, os suplementos contra a queda de cabelo podem ajudar a fortalecer o cabelo e a reduzir a queda.


Maus hábitos de vida

Maus hábitos podem afetar negativamente a saúde do seu cabelo. Adote um estilo de vida saudável sem demora: durma o suficiente, entre 7 e 9 horas por noite, e pratique atividade física regularmente.

Doenças que causam alopecia

Algumas doenças podem causar queda de cabelo localizada:

Alopecia areata, também conhecida como queda de cabelo em manchas, é uma doença autoimune. O sistema imunitário ataca os folículos capilares numa área específica do couro cabeludo, o que resulta na formação de manchas circulares de queda de cabelo. Na maioria dos casos, os tratamentos envolvem medicamentos à base de corticosteroides.

Micose é uma infeção fúngica do couro cabeludo que pode causar queda de cabelo localizada em manchas. É mais comum em crianças e em pessoas com o sistema imunitário enfraquecido. Esta condição é tratada com medicamentos antifúngicos.

Influência das alterações hormonais

A alopecia pode ter causas hormonais. Certas perturbações hormonais podem alterar o ciclo capilar e provocar a queda de cabelo.

As hormonas associadas à alopecia incluem: 

  • Hormonas masculinas, tais como os androgénios que estão associadas à alopecia androgénica ou à queda de cabelo causada pela síndrome do ovário poliquístico (SOP). 
  • Os estrogénios que, em casos de hiperestrogenismo ou durante a menopausa, podem contribuir para a queda de cabelo.
  • As hormonas da tiroide, quando produzidas em quantidade insuficiente (hipotiroidismo) ou excessiva (hipertiroidismo), podem levar ao enfraquecimento e à fragilização do cabelo.

Impactos das estações do ano e da luz solar

As mudanças sazonais aumentam o risco de queda de cabelo. Esta queda excessiva de cabelo é bastante normal na transição de uma estação para outra, especialmente no outono. Estas quedas de cabelo sazonais não constituem um problema grave e, geralmente, duram apenas algumas semanas. 

Quanto à luz solar, em pequenas doses, pode ser benéfica para o cabelo (graças, em particular, à vitamina D). No entanto, é aconselhável ter cuidado com os raios solares, uma vez que estes podem causar caspa ou retardar a eliminação dos ácidos gordos do sebo e a circulação adequada de nutrientes para o cabelo. Proteger o cabelo do sol é simples: basta cobrir a cabeça.

Causas psicológicas da alopecia

Influência de distúrbios psicológicos

Os distúrbios psicológicos podem ter um impacto na queda de cabelo:

  • O stress e a ansiedade: podem desencadear a queda de cabelo reacional, também conhecida como eflúvio telógeno agudo. 2 a 3 meses após ter sofrido stress ou um choque psicológico, o cabelo pode começar a cair repentinamente e em grandes quantidades. O stress também pode causar alopecia areata.
  • Tricotilomania: um distúrbio caracterizado pela compulsão de arrancar o próprio cabelo (ou pelos do corpo), resultando frequentemente em alopecia por tração.

Além disso, a própria alopecia pode afetar a saúde mental, levando à perda de autoconfiança, à fobia social, à depressão e à ansiedade, um ciclo vicioso.

 

Estratégias de gestão

Existem vários métodos que podem ajudar a lidar com o sofrimento psicológico e a ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) pode ser utilizada, especialmente no caso da tricotilomania, uma vez que ajuda a compreender os padrões comportamentais negativos e a substituí-los por mecanismos de adaptação mais saudáveis.

Em alguns casos, os profissionais de saúde mental podem prescrever medicamentos para tratar os sintomas de ansiedade e depressão.

Por fim, não subestime o poder de atividades como a meditação, o ioga e outros exercícios físicos. Ajudam a reduzir o stress e a ansiedade.

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Cuidados capilares para prevenir a alopecia

Melhores práticas de cuidados com o cabelo

Para prevenir a alopecia, é essencial adotar uma rotina adequada de cuidados com o cabelo:

  • Utilize produtos suaves adequados ao seu tipo de cabelo: tente identificar as necessidades do seu couro cabeludo e cabelo e evite produtos agressivos.
  • Cuide do seu couro cabeludo: um couro cabeludo saudável e equilibrado é fundamental para um cabelo forte e bonito. Certifique-se de que previne o aparecimento de caspa, prurido e outras irritações.
  • Lave o cabelo e o couro cabeludo corretamente: quando “lava o cabelo”, não é o cabelo que precisa de lavar, mas sim o couro cabeludo. Depois de molhar o cabelo, aplique o champô nas mãos, ensaboe e massaje suavemente o couro cabeludo (evite esfregar com força). Em seguida, passe o cabelo por água.
  • Massaje o couro cabeludo: uma excelente forma de estimular a microcirculação.
  • Tenha cuidado com o calor: limite o uso de aparelhos de calor, pois podem danificar o seu cabelo.
  • Evite penteados muito apertados: criam uma tensão excessiva no couro cabeludo e podem causar alopecia por tração.
  • Escove bem o cabelo: escovar o cabelo fecha as cutículas capilares e remove a sujidade.

Produtos recomendados

Crie a sua rotina antiqueda de cabelo, incluindo três produtos essenciais: 

  • Um champô sem sulfatos nem silicones que estimula suavemente o couro cabeludo e promove um crescimento capilar mais forte.
  • Um condicionador, para aplicar após o champô, que desembaraça eficazmente o cabelo, conferindo-lhe textura e volume.  
  • Um cuidado para a queda de cabelo direcionado e adequado à sua alopecia (progressiva ou reativa) para retardar a queda de cabelo, restaurar a densidade e estimular o crescimento.
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Gravidez e risco de alopecia

A gravidez é um período de alterações hormonais que pode afetar o seu cabelo.

Durante a gravidez, os níveis elevados de estrogénios mantêm o cabelo na fase anágena: o cabelo das mulheres grávidas é geralmente mais luminoso e espesso, e raramente cai. Após o parto (ou algum tempo depois, no caso das mulheres que amamentam), os níveis hormonais descem abruptamente: o cabelo entra então na fase telógena. Isto é conhecido como eflúvio telógeno.

Para além das variações hormonais, eventuais carências nutricionais e uma clara falta de sono podem contribuir para a queda de cabelo.

Para minimizar a queda de cabelo pós-parto, utilize um champô suave e antiqueda de cabelo, siga uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes e opte por suplementos alimentares para a queda de cabelo (excluindo a gravidez e a amamentação).

Causas raras da alopecia

A alopecia pode ser causada por queimaduras e radiação, alterações na haste capilar, lúpus eritematoso sistémico, líquen plano pilar, alopecia fibrosante frontal ou doenças cutâneas raras.

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