Alopecia
Tudo o que precisa de saber sobre a alopecia: causas, sintomas e diagnóstico
Atualizado em , validado por a nossa equipa de especialistas René Furterer.
Perder cabelo todos os dias é perfeitamente normal. Mas vamos falar sobre a alopecia. Quando é que devemos começar a preocupar-nos? A alopecia, ou seja, a perda parcial ou total de cabelo, pode afetar qualquer pessoa, embora as causas sejam diversas.
Esta queda de cabelo é temporária, está relacionada com o stress ou com uma simples mudança sazonal, ou tem origem genética? Como é que se sabe se é necessário um cuidado específico? Existem vários tipos de alopecia, tais como a alopecia androgenética (frequentemente hereditária) ou a queda de cabelo reacional causada por fatores externos.
Que cuidados estão disponíveis? Entre soluções médicas, mudanças no estilo de vida e intervenções mais especializadas, é essencial compreender as causas da alopecia e consultar um especialista logo aos primeiros sinais.
O que é a alopecia?
A alopecia é uma perda anormal de cabelo, que pode ser parcial ou total, e afeta tanto homens como mulheres.
É normal perder entre 40 e 80 cabelos por dia, como parte do ciclo natural do cabelo. Cerca de 14% de todo o cabelo é perdido de forma permanente, mas isso não afeta a densidade capilar.
A alopecia surge quando a queda de cabelo se torna excessiva (mais de 100 fios por dia) e persistente. Ao contrário da queda de cabelo normal, a alopecia pode causar uma perda de cabelo progressiva ou súbita, dependendo da causa, em determinadas áreas do couro cabeludo ou em toda a cabeça.
Alopecia ou calvície, qual é a diferença?
A calvície é um termo comumente utilizado para descrever uma fase avançada da alopecia em que o couro cabeludo fica visível, seja parcial ou totalmente. Este fenómeno é frequentemente observado no contexto da alopecia androgenética, que provoca um recuo progressivo da linha do cabelo e uma redução da densidade capilar.
Sintomas da alopecia
O primeiro sintoma da alopecia é uma queda de cabelo mais intensa do que o normal. Poderá notar que o cabelo está a entupir o lavatório, a acumular-se na fronha da almofada, na escova ou mesmo na sua secretária em quantidades superiores ao habitual. Esta queda de cabelo invulgar pode ter consequências mais ou menos imediatas:
- Cabelo progressivamente mais ralo
- Calvície em manchas (localizada ou espalhada por todo o couro cabeludo)
- Recuo da linha do cabelo, com a formação de entradas (especialmente nos homens)
- Manchas circulares de queda de cabelo (na alopecia areata)
- Perda de densidade na parte superior do couro cabeludo
Para além destes sinais visíveis, podem existir sintomas associados:
- Prurido no couro cabeludo
- Sensação de ardor ou desconforto nas áreas afetadas
- Perda de densidade do pelo corporal (sobrancelhas, barba)
- Queda de cabelo rápida ou repentina após um choque emocional ou uma doença.
Os diferentes tipos de alopecia e as suas causas
Alopecia androgenética
A alopecia androgenética é a forma mais comum de queda de cabelo progressiva. Deve-se principalmente a fatores hormonais, em particular aos androgénios, e à predisposição genética. Este tipo de alopecia está associado à di-hidrotestosterona (DHT), que acelera os ciclos capilares. Cada pessoa tem cerca de 25 ciclos de crescimento capilar e, sob o efeito da DHT, esses ciclos encurtam, levando a uma queda de cabelo mais rápida. Com o tempo, este esgotamento dos ciclos capilares impede que o cabelo volte a crescer, o que explica o enfraquecimento progressivo do cabelo. Em indivíduos geneticamente predispostos, os folículos capilares tornam-se mais sensíveis à DHT, o que leva a uma perda de cabelo progressiva mais rápida. Prevenir a queda de cabelo é essencial para retardar este processo.
Estudos recentes demonstram que também podem ocorrer outros fenómenos durante a alopecia androgenética, como a disfunção das células estaminais da região da saliência, responsáveis pela renovação dos ciclos capilares.
Alopecia difusa
A alopecia difusa é uma perda de cabelo súbita e generalizada, frequentemente desencadeada por um evento como a gravidez, carências alimentares (em particular a carência de ferro), stress ou certas doenças crónicas. Ao contrário da alopecia androgenética, que provoca uma redução gradual da densidade capilar, a alopecia difusa leva a uma queda de cabelo massiva em todo o couro cabeludo.
Alopecia areata (alopecia)
A alopecia areata, também conhecida como alopecia, é uma doença autoimune na qual o sistema imunitário ataca os folículos capilares, causando manchas circulares sem cabelo. Este tipo de queda de cabelo não é cicatricial e pode ser tratado com terapias adequadas. Pode ser desencadeada por fatores externos que ainda não são bem compreendidos.
Alopecia cicatricial
A alopecia cicatricial resulta de processos inflamatórios que atacam e destroem os folículos capilares, levando à perda irreversível de cabelo. Quando um folículo piloso é destruído, é substituído por tecido cicatricial, impedindo o crescimento futuro. Esta destruição pode ser causada por uma infeção, traumatismo físico (como queimaduras) ou doenças inflamatórias, como o lúpus ou a foliculite decalvante. Na ausência de folículos funcionais, o couro cabeludo fica liso e com cicatrizes, tornando impossível o crescimento natural do cabelo.
Alopecia por tração
Esta alopecia é causada por penteados demasiado apertados ou penteados repetidos, o que danifica mecanicamente os folículos capilares. Observa-se frequentemente nas têmporas ou na coroa.
Alopecia universalis e alopecia totalis
Estas formas graves conduzem à perda total do cabelo no couro cabeludo (alopecia totalis) ou de todo o pelo do corpo (alopecia universalis). Trata-se de uma forma avançada de alopecia areata. É frequentemente associada a fatores autoimunes ou predisposição genética.
Diagnóstico da alopecia: quando deve consultar um especialista?
É essencial consultar um especialista aos primeiros sinais de alopecia para se obter um diagnóstico preciso. Um dermatologista ou tricologista poderá distinguir uma queda temporária de uma forma mais persistente. O diagnóstico inclui frequentemente um teste de tração, no qual se puxa um fio de cabelo para avaliar a resistência do folículo. Se necessário, pode ser realizado um exame adicional, como um tricograma (análise microscópica do cabelo) ou uma biópsia do couro cabeludo, para examinar os tecidos e os folículos, especialmente quando se suspeita de alopecia cicatricial ou infeções. Os cabeleireiros também podem utilizar um capiloscópio para diagnosticar o tipo de queda de cabelo.
Cuidados para a alopecia
Existem vários cuidados para a alopecia, cada um com um mecanismo de ação diferente, dependendo do tipo de queda de cabelo. Antes de iniciar qualquer cuidado, consulte um dermatologista ou tricologista para obter um diagnóstico personalizado.
Um cuidado tópico na forma de loção ou mousse é frequentemente utilizado para estimular o crescimento do cabelo, melhorando a circulação sanguínea nos folículos. Para os homens, um tratamento oral pode ser prescrito para retardar a queda de cabelo, bloqueando a hormona responsável pela calvície. Nos casos de alopecia localizada, podem ser aplicados anti-inflamatórios localmente ou injetados para reduzir o ataque do sistema imunitário aos folículos.
Além disso, a terapia a laser, um método suave e não invasivo, ajuda a estimular o crescimento do cabelo ao melhorar a circulação no couro cabeludo.
Quando estes tratamentos não são suficientes, um transplante capilar pode ser considerado para redistribuir o cabelo nas áreas com calvície.
Para soluções mais naturais, podem ser utilizados cuidados à base de plantas e óleos essenciais para promover a saúde diária do couro cabeludo, reduzir a queda de cabelo e estimular o crescimento saudável do cabelo. A massagem regular do couro cabeludo também ajuda a melhorar a saúde dos folículos capilares, ao estimular a microcirculação, o que contribui para reduzir a queda de cabelo e promover o seu crescimento.
É possível prevenir o risco de alopecia?
A queda de cabelo pode ser evitada através da adoção de bons hábitos diários:
- Siga uma dieta rica em vitaminas e minerais, especialmente vitaminas do complexo B, zinco e ferro, que são essenciais para a saúde do cabelo.
- Evite o stress tanto quanto possível.
- Proteja o seu cabelo dos fatores externos prejudiciais (calor, produtos químicos, penteados demasiado apertados) para evitar danificar os folículos capilares.
- Utilize produtos adequados ao seu tipo de couro cabeludo.
- Massaje o couro cabeludo diariamente para estimular a microcirculação, o que ajuda a oxigenar e a fornecer nutrientes aos bolbos capilares.Consulte um especialista se a
- queda de cabelo persistir.
Cuidados capilares para a alopecia
Cuidar do seu cabelo em caso de alopecia requer a utilização de produtos adequados:
- Utilize champôs e condicionadores suaves, especialmente formulados para couro cabeludo frágil e cabelo ralo ou com queda, para evitar agravar a alopecia. Opte por fórmulas sem sulfatos, sem parabenos e com pH neutro para evitar irritar o couro cabeludo.
- Evite penteados apertados como tranças, coques ou rabos de cavalo, que podem puxar o folículo e agravar a queda de cabelo.
- Hidrate e nutra o cabelo uma ou duas vezes por semana para fortalecer a fibra capilar e prevenir a quebra.
- Opte por séruns e loções capilares que contenham ingredientes que estimulem a microcirculação no couro cabeludo e promovam o crescimento do cabelo.
- Limite a utilização de secadores de cabelo, alisadores ou outros aparelhos que utilizem calor, e aplique sempre um spray protetor antes de os utilizar. Proteja também o cabelo do sol e do frio com um chapéu ou um lenço.
- Consulte um profissional para um cuidado que retarde a queda de cabelo e estimule o seu crescimento
Que impacto pode a alopecia ter na vida quotidiana?
A alopecia pode ter efeitos psicológicos significativos, tais como a diminuição da autoconfiança e um impacto direto nas relações sociais. Algumas pessoas podem também sofrer de depressão ou ansiedade, especialmente se a queda de cabelo for rápida ou grave. Para além do impacto estético, a alopecia pode afetar a qualidade de vida, levando a sentimentos de isolamento e profunda infelicidade.
Para gerir o stress e a ansiedade associados à alopecia, pode falar com um profissional de saúde mental ou praticar meditação, ioga ou qualquer outro tipo de desporto para relaxar. Cuidar da sua aparência usando perucas ou adotando novos penteados também pode ajudar a recuperar a sua autoconfiança. Não hesite em falar com os seus amigos e familiares, ou mesmo com o seu cabeleireiro.
Como é que a alopecia afeta homens e mulheres de forma diferente?
Nos homens, a alopecia androgenética caracteriza-se frequentemente por um recuo progressivo da linha do cabelo na zona da testa e das têmporas, formando calvícies laterais. Esta forma comum de queda de cabelo também pode levar ao enfraquecimento ou à perda do cabelo na parte superior da cabeça, resultando em calvície parcial ou total.
Nas mulheres, a alopecia, em particular a alopecia androgenética, manifesta-se como um enfraquecimento difuso em todo o couro cabeludo, afetando principalmente a coroa da cabeça, embora, em geral, preserve a linha do cabelo. Ao contrário dos homens, que podem desenvolver zonas calvas, a queda de cabelo nas mulheres é menos visível no início, mas pode levar a uma redução significativa da densidade capilar. A alopecia androgenética feminina está frequentemente associada a desequilíbrios hormonais, como os que ocorrem na menopausa, e pode ser agravada por stress ou deficiências nutricionais.
Fatores que influenciam a alopecia
A alopecia pode ser causada por vários fatores. Quer se trate de desequilíbrios hormonais, stress ou predisposição genética, as causas da alopecia variam de pessoa para pessoa e, sobretudo, de acordo com o tipo de alopecia.
No caso de alopecia difusa ou reativa
O stress e as mudanças sazonais
O stress intenso ou prolongado pode causar queda de cabelo reacional, devido a uma perturbação no ciclo natural de crescimento do cabelo. O stress induz uma fase de repouso prematura dos folículos capilares, denominada eflúvio telógeno, que conduz a uma queda de cabelo maciça e repentina, mas que, embora significativa, será temporária.
As mudanças sazonais, especialmente no outono e na primavera, também podem influenciar a queda de cabelo. Este fenómeno sazonal deve-se a fatores ambientais, como a luz e a temperatura, que influenciam o ciclo capilar.
Deficiências alimentares
A deficiência de nutrientes essenciais, como o ferro, o zinco e as vitaminas do complexo B, enfraquece o cabelo e provoca queda difusa. Este tipo de alopecia pode ser observado em pessoas que sofrem de desnutrição ou de distúrbios alimentares, mas também em pessoas que são mais propensas a desenvolver carências, apesar de seguirem uma alimentação saudável e variada. Nesses casos, deve-se considerar a toma de suplementos.
Tratamentos médicos
Certos medicamentos, tais como os utilizados no tratamento da hipertensão arterial, das doenças da tiroide, os antidepressivos ou os anticoagulantes, podem causar alopecia difusa. Os tratamentos agressivos, como a quimioterapia ou a radioterapia, também provocam a queda de cabelo temporária ou, por vezes, permanente.
Doenças autoimunes
Certas doenças autoimunes estão intimamente associadas à alopecia reativa. Nestes casos, o sistema imunitário ataca por engano os folículos capilares, levando ao seu enfraquecimento e destruição. A alopecia areata, por exemplo, provoca queda de cabelo em manchas. Outras patologias, como o lúpus ou as doenças da tiroide, como o hipotiroidismo e o hipertiroidismo, também podem causar queda de cabelo difusa ou localizada. Nestes casos, um desequilíbrio hormonal perturba o ciclo capilar. O tratamento de doenças subjacentes, como a regulação da função da tiroide, pode, por vezes, melhorar a alopecia, embora isso dependa da gravidade dos danos nos folículos.
Infeções fúngicas
As infeções fúngicas do couro cabeludo, como a micose, são outra causa comum de alopecia, especialmente em crianças. Estas infeções fúngicas atacam a pele do couro cabeludo e os folículos capilares, provocando queda de cabelo localizada, frequentemente em manchas circulares. Se não for tratada atempadamente, esta condição pode causar cicatrizes permanentes e áreas de calvície.
No caso de alopecia androgenética ou progressiva
Fatores hormonais e genéticos
A alopecia androgenética está associada a fatores hormonais ou genéticos que podem afetar os homens a partir da puberdade. Nas mulheres, pode surgir nos seguintes casos:
- Desequilíbrios hormonais, tais como problemas da tiroide (frequentemente a partir dos 25-30 anos),
- Síndrome do ovário poliquístico (SOP),
- Durante a menopausa (por volta dos 50 anos).
O ciclo de vida do cabelo é um processo natural que compreende três fases: a fase de crescimento (anágena), a fase de repouso (catágena) e a fase de queda (telógena). No caso da alopecia, este ciclo é interrompido, levando a uma queda de cabelo mais rápida do que o seu crescimento.
Gravidez e alopecia: efeitos e conselhos
Não é segredo que a gravidez acarreta alterações hormonais significativas. Uma delas é a queda de cabelo pós-parto. Durante a gravidez, os níveis elevados de estrogénio prolongam a fase de crescimento do cabelo, tornando o cabelo, em geral, mais denso e espesso. No entanto, após o parto, a queda repentina dos níveis hormonais pode provocar uma queda de cabelo significativa, conhecida como eflúvio pós-parto. Esta queda de cabelo, embora temporária, pode durar entre 3 e 6 meses e afetar todo o couro cabeludo.
Para minimizar o impacto desta queda de cabelo, recomenda-se que as mulheres grávidas sigam uma alimentação equilibrada, rica em ferro, biotina e zinco, e que utilizem produtos de higiene capilar suaves.
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